Foi por amor




Quando ela chegou em casa depois do trabalho, entrou no quarto e viu seu marido morto,
com um tiro no ouvido, a arma estava na sua mão direita e o bebê chorando no berço.
Desesperada, imediatamente ligou para a políca, seu marido era o delegado da pequena cidade, eles moravam numa chácara, afastada do centro, mesmo assim a polícia chegou rapidamente.
A polícia investigou o crime, a princípio com duas possibilidades, dele ter cometido suícidio e de ter sido assassinado por alguém com sua própria arma. Ele era o delegado, com certeza tinha muitos inimigos, mas depois de alguns meses de investigação e com o depoimento da esposa, que ele estava em depressão profunda, chegaram a conclusão que ele havia se suicidado.
Eles eram ricos, ela ficou com todos os bens do marido, e um seguro de vida que garantiria sua estabilidade financeira pelo resto da vida.
No natal daquele ano, fazia seis meses que estava viúva, ficou muito alegre, quando soube, que seu irmão que era padre e morava na Itália, viria ceiar com a família. Depois da ceia quando todos foram embora, ela pediu para que o irmão ficasse, pois ela estava explodindo por dentro e precisava se confessar.
Seu irmão sentou-se no sofá, segurou em suas mãos, e disse que estaria a sua disposição, que ela poderia por pra fora tudo que estava lhe sufocando e preso em seu peito. Ele imaginou que ela queria falar sobre a perda do marido, sobre a dor que estava sentindo, mas quando ela começou a falar, seus olhos arregalaram:
- Meu irmão, você é padre, tem que guardar segredo das confissões, e eu preciso me abrir com alguém se não vou explodir, eu preciso que pelo menos você saiba de toda a verdade.

"Naquela noite quando eu cheguei em casa, o que vi não desejo nem para o meu maior inimigo, foi a pior coisa que aconteceu na minha vida, surpreendi aquele desgraçado do meu marido, abusando sexualmente do meu filho, sinceramente, desejei a morte naquele momento, mas depois pensei que eu não poderia morrer, se não quem iria cuidar do meu bebê,  aquele nojento e asqueroso é que não poderia ser. A raiva foi tanta, que peguei seu revolver, o maldito nem percebeu que eu me aproximava, mirei bem dentro do seu ouvido e atirei. Depois que ele estava caido no chão, limpei a arma, e coloquei em sua mão, para simular um suícidio, coloquei meu filho no berço, e chamei a polícia, eu sei que jamais seria suspeita desse crime, pois éramos um casal que nos amávamos, eu sempre fui uma boa esposa, honrei meu marido até o último dia da sua vida, mas na verdade, nunca cheguei a conhecer aquele homem, ele foi o meu pior pesadelo, o resto da história você já sabe.
Peço que você ore a Deus por mim, para que Ele me perdoe, mas vou ser sincera, eu não me arrependo do que fiz, mas preciso que você me diga alguma coisa, para aliviar a minha dor!"
Ele olhou para a irmã assustado, não acreditava no que tinha acabado de ouvir, abaixou a cabeça, fez uma pausa, respirou fundo, depois de alguns segundos, olhou fixamente dentro dos olhos dela e disse:

-Minha irmã, como padre eu diria que para conseguir o perdão de Deus, você teria que se arrepender de todos os seus pecados, pois só conseguimos o perdão, quando conseguimos perdoar os outros e a nós mesmos, mas como você não se arrependeu do que fez, então te digo como irmão e homem errante que sou.
Não se culpe mais, o que você fez foi por amor ao seu filho, então como homem eu te absolvo, orarei por você todos os dias e desejo do fundo do meu coração que sejas feliz.
Ela abraçou seu irmão com força,  depois deitou em seu colo e chorou aliviada...


Vanessa P. @ Escritora
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11 comentários:

  1. Querida não sei se isto é realidade ou apenas tua inspiração, mas me emocionei, terrível, simplesmente terrível uma situação desta, agora se eu me emocionei é porque você escreve maravilhosamente bem, meus parabéns, passou-me toda tua emoção, desculpe se demorei a vir mas estou com meu marido gravemente doente então o tempo se encurta,já estou seguindo e obrigada pela tua visita em meu blog, uma escritora de tua envergadura muito me honra, beijos Luconi

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  2. Um belo conto, mas que ocorre em muitos lares, já vi muito isso em meu trabalho,e para as vitimas são traumas eternos, na hora talvez o sangue subisse e faria a mesma coisa.

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  3. Nossa que conto triste confesso que fiquei um pouco pasma com essa situação...Meu Deus o próprio pai abusando de seu filho, que absurdo, espero que esse conto não seja baseado em fatos reais, por que esse homem é um mostro, Se fosse eu no lugar dessa pobre mulher não sei o que faria, ufa! beijos carinhosos

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  4. Um conto muito bem escrito. A história fere... o que somos capazes de fazer por amor?!
    Bom restinho de semana.
    Beijos,
    Marie
    amoreoutrosdelirios.blogspot.com

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  5. Vanessa,boa noite!!!

    Lindo e triste conto,amiga...bem escrito,bem elaborado,mas muito triste e,infelizmente,o retrato de uma sociedade perversa que propicia a proliferação de seres monstruosos como este.
    A mãe agiu em defesa do filho e fica impossível recriminá-la.

    Bjssssss e parabéns pelo seu escrever,
    Leninha

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  6. Que mãe não defenderia seu filho?

    Esse problema estamos vendo no nosso dia a dia,um belo conto.
    Eu como mãe faria o mesmo,ainda
    mais pra defender meu filho!
    É muito triste!

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  7. Lindo texto que produzistes, gostei muito de seus escritos e estarei seguindo o seu blog.
    www.vivendoteologia.blogspot.com

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  8. Bem qualquer relação com a vida real terá sido mera coicidencia, eu mataria se pegasse no ato, mas isso é muito pouco hoje preferia que a pessoa sofresse o inferno seria muito bom para ele.

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  9. Nossa nem me fale, se eu chegasse a ver o ato em si, sai da frente, quebraria a pessoa no meio, mas não mataria, iria mandar ele pra cadeia, pensou que maravilha ser boneca lá na prisão....pedofilia não tem cura, e não venham dizer que é doença, tem que deixar eles soltos não em selas de segurança, se não tem jeito pra que gastar né...

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  10. PS: Obrigado Escritora pela retirada dos códigos, foi uma beleza postar hoje aqui.

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Vanessa Palombo

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