A Porta


Num reino distante, dois irmãos que eram soldados da guarda real foram mortos em combate. O mais novo chamava-se Justus e o mais velho Brutus.
Depois que deixaram o corpo pela morte física, foram enviados para um tribunal, uma espécie de purgatório, quando chegaram lá, encontram um senhor idoso de barbas e cabelos brancos, que os aguardava.
O senhor estava em pé, atrás de um púlpito de madeira, sob o púlpito haviam dois livros, um de capa branca e o outro de capa preta.
Os dois homens não sabiam onde estavam, estavam atordoados, confusos, quando Justus perguntou:
- Senhor, onde estamos, o que aconteceu com a gente?
- Vocês desencarnaram no plano físico, agora como espíritos  serão julgados de acordo com seus atos, logo depois se encaminharão cada qual, para o seu  plano espiritual!
Eles estavam apavorados, quando o silêncio foi interrompido:
- Vamos começar!
Disse o senhor procurando seus óculos sobre o púlpito, depois pegou o livro branco e começou seu discurso;
-Justus, este livro branco é o seu, este livro é chamado por Deus de livro da vida, aqui estão todas as informações, sobre todos os seus atos cometidos na Terra.
Os dois irmãos continuavam se olhando com medo e pavor, enquanto aquele senhor prosseguia;
- Aqui diz que nasceu numa família humilde, foi um bom filho, ajudou seus pais no campo, trabalhou desde menino, foi um menino dócil e educado, respeitava os mais velhos, adorava quando sua mãe falava sobre Deus, e com ela compreendeu o que é era ser cristão. Na adolescência sofreu muito com o desaparecimento de sua mãe, mas nunca a julgou, quando foi interrompido por Brutus que estava irado:
-Minha mãe não desapareceu, ela nos abandonou, deixou seus filhos para ir embora com outro homem, foi isso que nosso pai nos contou!
-Cale-se! Não me interrompa, agora você saberá de toda a verdade!
Disse o senhor
-Continuando de onde parei, nunca julgou sua mãe por ter desaparecido, continuou amando-a e respeitando-a, mesmo depois das palavras duras  e ofensas de seu pai em relação a ela.
Foi um bom marido, respeitou seu lar e filhos, foi um homem honesto e honrado, mesmo sendo soldado de confiança do rei, não concordava com suas ordens, não matou seu semelhante como lhe fora ordenado, não incendiou vilarejos, não abusou sexualmente das mulheres, não fez o mal, praticou a caridade, dividiu o que tinha, se manteve na lei e na justiça, não praticou injúrias, não foi egoísta, possessivo, e ingrato.
Foi um homem leal, fiel e verdadeiro, por esses e outros tantos atos de generosidade, sua sentença no mundo espiritual, é que entre por esta porta a minha direita.
Eles olhavam preocupados a porta se abrir, quando se abriu por completo, uma luz reluzente entrava por todo ambiente onde estavam, Brutus observou atento, que a porta dava a entrada para um lugar maravilhoso,  era um caminho florido, com céu azul, aves voando majestosamente pelo ar. Quando Justus chegou na porta, avistou sua mãe, com vestimentos reluzentes vindo de braços abertos em sua direção, ele caminhou até ela com os olhos cheios de lágrimas, e abraçou-a fortemente. Brutus via aquela cena estático e pensava:
"Como ela pode nos abandonar? Como pode deixar sua família, para seguir nos braços de outro homem?"
De repente aquela porta se fecha bruscamente, e o ambiente volta a ficar cinza como antes, Brutus estava perdido em seus pensamentos, quando ouve aquele senhor lhe chamar:
-Brutus? Agora chegou sua vez!
Ele pegou o livro com a capa preta e começou a falar:
-Ora, ora Brutus, o que vejo não é nada bom, você nasceu numa família humilde, mas odiava ser pobre, era revoltado desde pequeno, aprendeu a fazer desde muito cedo, o que não era o certo. Não gostava de trabalhar, não ajudava a família, pelo contrário, procurava destruir o que seu irmão fazia de bom, tinha ciúmes, e sempre achou que ele era o mais querido pela sua mãe, mas não era verdade, ela tratava-os com carinho igualmente. Na adolescência revoltou-se profundamente, quando achou que sua mãe tivesse ido embora, mas a verdade não é essa. Seu pai envenenou-lhe a vida toda contra sua mãe,  mas com ela o erro foi irremediável. Depois de uma discussão seu pai resolveu matá-la, planejou sua morte durante um mês, aproveitou uma noite, que não estavam em casa, misturou um poderoso veneno num chá, e a fez tomar, depois que ela morreu, enterrou seu corpo próximo de um riacho, não muito longe da casas em que viviam, depois disse a vocês que ela os havia abandonado, para ficar com outro homem.
Quando Brutus ouviu isso, caiu de joelhos em prantos gritava sem parar, o arrependimento lhe corroia a alma, enquanto isso aquele senhor continuava a falar:
-Amaldiçoou a mulher que te deu a luz a vida toda, ajudou seu pai a roubar pessoas inocentes, através de negócios ilícitos, se achava melhor que os outros soldados reais, era cruel e implacável em cumprir as ordens do rei, matou pessoas inocentes, incendiou aldeias, abusou sexualmente de mulheres, foi um péssimo marido, agredia violentamente sua esposa e filhos. Foi  tão ganancioso, que por dinheiro acabou entregando seu irmão para o rei, foi um delator, informou-lhe que seu irmão não cumpria suas ordens, disse ao rei que ele não merecia estar entre os soldados reais, já que conspirava contra o reino.
Só que para sua surpresa, na mesma batalha que conspiraram contra seu irmão, que foi morto a mando do rei, também conspiraram contra você, pois o rei não queria um delator no meio de seu exército, então o mesmo soldado que matou seu irmão a mando do rei, pelas suas costas o matou também.
Brutus não acreditava naquilo tudo, o remorso lhe corroia por inteiro.
-Então, por ter cometido esses e tantos outros atos de maldade,  sua sentença no mundo espiritual é que entre pela porta da esquerda.
Quando aquela porta se abriu, Brutus teve vontade de morrer novamente, o cheiro fétido o entorpecia, ele não conseguia ver direito o que havia ali, era tudo muito escuro, as pessoas andavam sobre uma espécie de barro, gritavam apavorantemente, as árvores eram secas, e o céu era num tom de cinza e preto. Brutus estava com tanto medo, que pedia pelo amor de Deus para não entrar ali, aquele senhor olhou-o no fundo dos olhos e disse-lhe:
-Não precisa ter medo, você não estará sozinho!
Brutus levou um susto, quando viu seu pai vindo ao seu encontro, suas roupas eram esfarrapadas e sujas, barba e cabelos sujos, e o cheiro dele era insuportável, Brutus tentou recuar, mas era inevitável, uma força o empurrou para dentro e a porta fechou-se.


Este texto é para refletirmos, sobre nosso atos e ações, pense bem e decida...

Por qual porta você quer entrar???




Texto de Vanessa P.  @ Escritora
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5 comentários:

  1. Um bom texto para refletir sobre o que
    fazemos na nossa vida inteira!
    Será que o que pensamos.
    Que fazemos é certo?
    Pense!
    Aprendo cada dia com o que vejo e não tenho
    receio nenhum em dizer que a porta branca será
    por mim escilhida
    E por essa que quero entrar!!

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  2. Também fiquei com dó no começo, porque ele foi enganado pelo pai, isso deve ter sido horrivel, mas no fundo o carater dele falou mais alto, o cara é do mal mesmo, tanto que pro Justus a mãe assassinada estava no céu, e pro Brutus o paia estava já penando no inferno. Mesmo coma a certeza da fuga da mãe nada justificava o mal que fez e intentou ao irmão, tanto que morreu junto. Nossa vida é assim, tbm espero entrar pela porta branca.

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  3. Fiquei com dó do rapaz ser enganado, que pai mais horrivel, mas nd disso interferiu no carater dele eita gente do mal, no fim teve o que mereceu, eu acho...

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  4. Claro que não pratiquei um terço do que o Brutos fez, mas se isso fosse a 5 anos atraz eu nem imagino quem teria vindo me receber, rsrs.
    Hoje sou uma nova pessoa em Cristo Jesus, procuro agir de acordo com as convicções Cristã. Muito bom esse texto.

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  5. Que conto mais edificante, realmente o caracter do rapaz era muito duvidoso, infelizmente em nenhum momento da sua vida ele fez o bem que pena, enquanto o Justus teve o que merecia a vitoria.

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Vanessa Palombo

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