O Mistério sobre a morte de Amanda Krall

Conto


Amanda Krall era uma jornalista famosa, conceituada em sua cidade. Tinha um programa de reportagens numa rádio local. Ela era destemida, buscava a verdade acima de tudo, não tinha medo de nada, a coragem era um grande atributo em sua personalidade.

Em um de seus programas, ela havia feito uma denúncia grave sobre corrupção, que envolvia o prefeito, um grande empresário e o delegado da cidade. A população estava nas mãos das três famílias mais poderosas, os Strazer, a família do prefeito, os Montagno, a família do empresário mais rico da cidade, e os Deleneuve, a família do delegado. Eram descendentes de alemães, italianos e franceses, que foram os pioneiros a povoarem aquela cidade. Eles se estabeleceram na época, se unindo em sociedade, enriqueceram ilicitamente, eram estelionatários, e criminosos profissionais. No fundo de sua alma, ela sabia que com essa atitude, correria todos os riscos possíveis de morte inclusive, mas estava fazendo o que achava certo, seu intuito era libertar a cidade das mãos de ferro daquela gente.

Essas famílias permaneceram no poder durante longas décadas, todos na cidade acatavam suas ordens, ninguém, nenhuma alma viva até então, teve a ousadia de enfrentá-los.
Amanda denunciou a população, todas as irregularidades e atrocidades da prefeitura, da empresa, e toda a corrupção e falcatruas cometidas pelo delegado. A população estava em choque, ela havia feito uma investigação por conta própria, não agüentava mais as chantagens e assédios morais, que eles praticavam para obter o que queriam. A gota d água, foi quando ela soube que eles mantinham pessoas trabalhando de forma escrava em suas terras, exploravam trabalhadores mantidos em alojamentos em condições sub-humanas, resolveu investigar na surdina e descobriu todos os podres das três famílias.

Numa noite chuvosa, Amanda estava deitada em sua cama, escrevendo as matérias que comentaria em seu programa no dia seguinte, ela morava sozinha num apartamento próximo ao centro da cidade. Percebeu um barulho na sala, antes que ela saísse do quarto, levou um tiro a queima roupa na cabeça.

O prefeito, o empresário e o delegado, publicaram uma nota no jornal, um dia antes do assassinato, alegando que eram inocentes de todas aquelas acusações.
A notícia da sua morte chegou rápido em todos os lares da pacata cidade, uma amiga que foi visitá-la encontrou-a morta no outro dia. A cidade estava em prantos, seus amigos não acreditavam no que havia acontecido, as pessoas lamentavam inconformadas, ela era querida por todos. O prefeito decidiu que faria sua última homenagem a ela, pois não tinha magoa nenhuma em seu coração, tinha a consciência tranqüila de que todos eram inocentes, e ao contrário do que imaginavam, eles (os três) admiravam seu trabalho. O prefeito fez questão, que o carro dos bombeiros desfilasse com seu caixão pela cidade, deram o nome para este feito de cortejo.

O crime de Amanda jamais foi solucionado, foi arquivado por falta de provas, ela não tinha família, havia sido deixada num orfanato quando ainda era um bebê, permaneceu no orfanato até os dezoito anos, pois ninguém teve coragem de adotar uma criança negra. Trabalhou muito e conseguiu pagar seus estudos e formou-se em jornalismo, mas era apaixonada pelo rádio, tinha uma voz firme, falava com clareza, numa linguagem popular que todos a entendiam, seu nome verdadeiro era Amanda da Justiça Divina, foi dado pela madre do orfanato, a quem ela chamou de mae. Escolheu o pseudônimo Krall porque seu nome trazia-lhe certo constrangimento. Que ironia do destino, mal sabia ela, que seu nome verdadeiro, trazia em si, impresso na essência de sua alma, o ideal da verdade absoluta, a convicção de fazer justiça, motivo esse que a fez lutar sua vida inteira.









Texto de Vanessa P. @ Escritora
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10 comentários:

  1. Lendo As Mil e Uma Noites, obra traduzida por Arouche, verificamos que os maus são maus, compram almas,e que os "ifrits"(demônios) aprontam todas impunemente. Em resumo, são livros bons que ajudam a conviver com diversas realidades, inclusive essa. Ela deveria ter lido essa obra e sobrevivido para contar a história mil e uma vezes. Um abraço, Yayá.

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  2. Gostei do seu blog e por isso já estou te seguindo.
    Um cheiro!

    http://nivia-arteira.blogspot.com

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  3. Gostei do conto,perfeito para enquadrar no espaço de uma postagem,pequeno e com conteúdo,parabéns!
    Fiquei por aqui

    Gemária Sampaio

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  4. Oie... voltei para informá-la que és a seguidora nº 100 do meu blog... e seguidores "centenários" ganham um post especial.... CONFIRA!!!!

    PARABÉÉÉÉÉNS!!! =D

    Ah, por favor, se não gostar nos avise... retiraremos o post de imediato!

    Abraço apertado!!!!!!

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  5. Oi Samara,

    Adorei este post especial, como disse em seu blog, não sei como te agradecer, MUITO OBRIGADA!

    É um prazer tê-la comigo em meu blog, seja sempre bem-vinda!


    Gemária, que bom tê-la comigo, parabéns pelo seu blog.

    Bjos

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  6. Achei fántástico esse conto
    com certeza no País em que
    vivemos temos tanto disso,nem
    sempre podemos dizer a verdade
    e mostrar o que é certo ou errado
    Mas DEUS que tudo sabe e td ve
    um dia mostra toda verdade!!

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  7. Muito bom o conto, sem saber ela já estava destinada a denunciar pessoas corruptas, e morreu como muitos covardemente

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  8. Que legal Vanessa essa pagina inteira merece nota 10. Boa indicação da pati.

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Vanessa Palombo

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