Pausa



Que sensação ruim essa de sufocar as palavras,
Não dizer o que sinto por medo de ferir,
Já me feriram tanto, tanto, tanto,
Que hoje penso mil vezes antes de colocar para fora o que penso e sinto.

Não quero ofender e nem magoar,
Sei que as palavras ferem como navalhas afiadas,
E depois de ditas, não há como voltar atrás,
Desculpar-se depois que o coração foi retalhado,
Não cura e não traz alívio para a dor.

Por isso penso, espero, reflito muito antes de dizer o que penso,
Sei que pensa que sou egoísta agindo assim,
Pensa que fujo da situação por querer as coisas depois,
Em outro momento,
Talvez pense apenas que me ache superior,
Talvez pense que me ache melhor do que todos,
Como sempre diz.

Mas não é isso,
Sou igual a todo mundo,
Enxergo-me exatamente igual,
O que diferencia um ser humano de outro são as experiências,
A maturidade,
O discernimento,
As escolhas,
E o bem e o mal que habita dentro de si mesmo.

Mas na hora da discussão,
Preciso fazer  uma pausa,
Preciso respirar,
Para não falar coisas que serão distorcidas.

Preciso de um tempo para assimilar as coisas que estão sendo ditas,
Preciso analisar as minhas respostas,
Preciso respirar com calma,
Preciso fazer uma pausa,

Para não deixar cicatrizes de palavras profundas na sua alma...


                                                           

O Pulsar do Coração



Toda vez que o coração paira no ar,  
Ele dança suavemente,
Uma dança harmoniosa,
E Inexplicavelmente contagiante.

A paixão que no principio o envolve dispara seus batimentos,
E o amor que vai permanecendo sem regras e imposições,
Aos poucos, o faz pulsar de uma maneira única e pura,
Como se nada mais fizesse sentido,
A não ser a vontade de amar sem cessar.

Toda vez que o coração paira no ar,
É porque uma nova história tem que ser escrita,
É porque um novo desfecho tem que ser traçado.

E porque a vida talvez seja simples assim,
Uma misto inconstante de começos e fins...


                                                                        

De repente



Foi em um dia comum de inverno que tudo aconteceu,
Estava deitada na cama,
Com o olhar perdido em algum ponto desbotado do teto do quarto.

De repente, o portao da minha casa foi aberto silenciosamente,
E você caminhou até a porta da sala,
Girou a maçaneta e entrou sem deixar rastros.

Não havia barulho algum,
Além do ruído dos meus pensamentos que chocavam-se entre si,
Dentro da minha mente.

Abriu a porta do meu quarto e entrou lentamente,
Aproximou-se e permaneceu ao pé da cama olhando-me por algum tempo.

De repente, num ato de loucura ou não!
Mergulhou incansavelmente,
Invisivelmente dentro do meu coração.
Alojou-se de tal forma,
Que fez do meu coração a sua morada.

Meu coração amedrontado,
Sentiu a súbita invasão e para esconder-se,
Num ato de loucura, ou não!
Mergulhou invisivelmente e incansavelmente para dentro do seu coração,
Alojou-se ali,
E fez do seu coração a minha nova morada.

Levantei rapidamente sem entender ao certo o que estava acontecendo.

De repente, olhei para dentro de mim mesma,
E avistei uma luz encantadora que foi acesa por você,
Para iluminar todos os sentimentos que estão sendo transformados em amor,
De repente...

                                                          

A Fogueira




Coisas inusitadas acontecem inexplicavelmente,
O inverno frio e misterioso de Junho,
Trouxe no ar gelado desta estação,
Sentimentos que aquecem meu coração,
Surpreendentemente.

A fogueira da festa de São Joao foi acesa interiormente,
Com outras palavras,
Outras formas,
Outros gestos,
E outra magia.

A alquimia que aquece lentamente meus sentimentos,
Traduz no corpo um fogo brando que queima sem arder.

Vagarosamente e ao mesmo tempo instantaneamente,
Uma fogueira de sentimentos é aquecida sem me conter...


                                                                   

Liberta





As correntes que prendiam minha alma foram quebradas em mil pedaços,
Os estilhaços foram lançados para fora do meu corpo,
Agora estava liberta para compreender o elo reluzente que sempre uniu-me a Deus.

Passei tanto tempo enclausurada dentro dos meus próprios julgamentos,
Acorrentada às minhas falsas convicções,
Que não me dei conta do quanto Deus é perfeito.

Pela primeira vez a dor do meu semelhante doeu em mim,
Anteriormente, a dor que era apenas imaginada,
Agora era sentida concretamente na minha própria pele.

As correntes que prendiam minha alma foram quebradas em mil pedaços,
Os estilhaços lançados para fora do meu corpo perfuraram meu orgulho,
E através das fendas deixadas na carne, pude sentir que a dor do outro,
É tão verdadeiramente  igual a minha...

                                                                  
                                                                         

O Iceberg



Fechei os olhos por alguns minutos,
Concentrei-me numa melodia silenciosa para tentar enxergar-me por dentro,
Precisava encontrar a parte submersa do meu iceberg interior,
Se não pudesse destruí-lo,
Precisaria ao menos encontrar um atalho para que meu barco pudesse navegar em águas tranquilas.

Durante o percurso da minha vida,
Vários barcos bateram fortemente no iceberg do meu orgulho, da minha intolerância e da minha incompreensão,
Naufraguei tantas vezes que perdi as contas.

Depois, as ondas sempre lançavam-me em direção a ilha mais próxima,
Exausta de tanto nadar,
Lá estava eu,
Sentada novamente na areia da praia olhando para o nada,
Pensando onde havia errado daquela vez,
E o que poderia fazer, para que meu barco não se chocasse com o tenebroso iceberg de novo.

Então, o vento do litoral soprou-me ao pé do ouvido:

“ A solução é bem mais simples do que parece, o iceberg sempre estará no mesmo lugar, mas se conseguir controlar a ansiedade que te cega, com cuidado e sem pressa, conseguirá dele desviar.”...


                                                                      

Prisão Sem Muros




Como é difícil decidir,
É bem mais complexo do que imaginava.

Os pensamentos que flutuam sobre minha cabeça,
Dançam sem ritmo ao meu redor,
Desconcentrando-me!
Atordoando-me!

Tenho duas escolhas:
Ou caio definitivamente,
Ou subo urgentemente,
Mas a dúvida corrói-me.

Atirei-me em um precipício escuro,
Mas cansei de cair em queda livre,
Agarrei-me em uma pedra,
Mas ainda não decidi se quero subir até a superfície.

As vezes penso que deveria lançar-me novamente,
De uma vez por todas!
E cair sem preocupar-me com o fim,
Mas posso pagar um preço alto por tal inconsequência.

Ao mesmo tempo,
Sou dominada pelo medo de decidir,
Não sei se o certo a fazer é subir ao topo,
E correr  para o raio de luz que avisto de onde estou,
Ou se permaneço imóvel na escuridão da indecisão que aprisiona-me ali...

                                                                        
Não posso, não quero e não vou fugir do que sou, sou a soma de todos os meus atos, sou o resultado de tudo que fiz e vivi, e vivendo na intensidade de mim, me tornei única!



Vanessa Palombo

Categorias

Arquivo

Visualizações