Liberta





As correntes que prendiam minha alma foram quebradas em mil pedaços,
Os estilhaços foram lançados para fora do meu corpo,
Agora estava liberta para compreender o elo reluzente que sempre uniu-me a Deus.

Passei tanto tempo enclausurada dentro dos meus próprios julgamentos,
Acorrentada às minhas falsas convicções,
Que não me dei conta do quanto Deus é perfeito.

Pela primeira vez a dor do meu semelhante doeu em mim,
Anteriormente, a dor que era apenas imaginada,
Agora era sentida concretamente na minha própria pele.

As correntes que prendiam minha alma foram quebradas em mil pedaços,
Os estilhaços lançados para fora do meu corpo perfuraram meu orgulho,
E através das fendas deixadas na carne, pude sentir que a dor do outro,
É tão verdadeiramente  igual a minha...

                                                                  
                                                                         

O Iceberg



Fechei os olhos por alguns minutos,
Concentrei-me numa melodia silenciosa para tentar enxergar-me por dentro,
Precisava encontrar a parte submersa do meu iceberg interior,
Se não pudesse destruí-lo,
Precisaria ao menos encontrar um atalho para que meu barco pudesse navegar em águas tranquilas.

Durante o percurso da minha vida,
Vários barcos bateram fortemente no iceberg do meu orgulho, da minha intolerância e da minha incompreensão,
Naufraguei tantas vezes que perdi as contas.

Depois, as ondas sempre lançavam-me em direção a ilha mais próxima,
Exausta de tanto nadar,
Lá estava eu,
Sentada novamente na areia da praia olhando para o nada,
Pensando onde havia errado daquela vez,
E o que poderia fazer, para que meu barco não se chocasse com o tenebroso iceberg de novo.

Então, o vento do litoral soprou-me ao pé do ouvido:

“ A solução é bem mais simples do que parece, o iceberg sempre estará no mesmo lugar, mas se conseguir controlar a ansiedade que te cega, com cuidado e sem pressa, conseguirá dele desviar.”...


                                                                      

Prisão Sem Muros




Como é difícil decidir,
É bem mais complexo do que imaginava.

Os pensamentos que flutuam sobre minha cabeça,
Dançam sem ritmo ao meu redor,
Desconcentrando-me!
Atordoando-me!

Tenho duas escolhas:
Ou caio definitivamente,
Ou subo urgentemente,
Mas a dúvida corrói-me.

Atirei-me em um precipício escuro,
Mas cansei de cair em queda livre,
Agarrei-me em uma pedra,
Mas ainda não decidi se quero subir até a superfície.

As vezes penso que deveria lançar-me novamente,
De uma vez por todas!
E cair sem preocupar-me com o fim,
Mas posso pagar um preço alto por tal inconsequência.

Ao mesmo tempo,
Sou dominada pelo medo de decidir,
Não sei se o certo a fazer é subir ao topo,
E correr  para o raio de luz que avisto de onde estou,
Ou se permaneço imóvel na escuridão da indecisão que aprisiona-me ali...

                                                                        

O Casamento



Gotas de chuva escorriam pelos vidros do carro,
Parada ali,
Observava as pessoas elegantes que entravam na catedral,
Seguindo o caminho do tapete vermelho.

De longe, observava a noiva.

Desceu do carro e aproximou-se,
Precisava ver tudo de perto.

Suas lágrimas misturavam-se a chuva,
Parada ali, observava os detalhes, o vestido branco num corpo perfeito,
Bem alinhado,
Delicadamente bordado.

Os olhares acolhedores de todos os familiares.

Sentiu uma dor inexplicável ao ver os olhos emocionados do noivo,
Que anteriormente era seu noivo, só seu.

Lembrou-se do quanto ele havia chorado, 
Implorado para ela nao desistir dele.

Foi exatamente numa noite de chuva assim,
Que ela havia desmanchado seu noivado por uma aventura,
Por alguém que só a enganou e que não valeu a pena!

Arrependida,
Chorava compulsivamente,
Desconsolada,
Desorientada,
Em frente a catedral que exatamente naquele mesmo dia no ano anterior,
Seria o palco do seu casamento...

                                                      
                                                                   

Luz do Luar




É impossível conter os ponteiros do relógio,
As horas passam num piscar de olhos,
Os anos se desmancham como folhas secas.

Penso em tudo que vivi até agora,
Em todos os amores que tive,
Trouxe para minha essência as coisas boas de cada um,
E exterminei as coisas que não me fizeram bem,
Do mesmo modo devem ter feito comigo.

No decorrer do tempo que se dissolve rapidamente,
Ainda busco respostas para a verdadeira tradução do amor.
E chego a conclusão que amar é supostamente inexplicável.

Inexplicável como o timbre de voz que me faz arrepiar,
Como olhares sedutores que me desmontam,
Como sorrisos sinceros que me conquistam.

Ainda busco meu reflexo dentro da retina de olhos apaixonados,
Ainda tento me encontrar em abraços que apertam a alma além do corpo,
E perder-me em beijos que me fazem flutuar.

Os anos se desmancham como as folhas secas do outono,
E antes que a minha existência passe mais rápido que um flerte,
Ainda quero amar,
Mesmo sem saber ao certo se amor rima com dor,
E se amar rima com mar,
Que seja entao sob a luz do luar...




                                                            

O Lavandário

Caros Amigos e Leitores,

Começo o ano falando de um lugar que planejava conhecer há muito tempo, e nas férias de final de dezembro (2016) foram 1.400 km percorridos, do Litoral Sul até o Litoral Norte,  com paradas no Guarujá, Santos, Ilhabela, Ubatuba, Trindade, Paraty e Cunha.
Com muita satisfação e contentamento, apresento-lhes, O Lavandário, situado na cidade de  Cunha SP, aproximadamente 50 km de Paraty RJ.


Ao chegar já senti um aroma perfumado no ar,
A plantação de Lavandas e Alecrim impressionou-me com tamanha beleza,
A paisagem é paradisíaca, a emoção que senti foi indescritível,
Sentei-me no deck por algum tempo e fiz uma oração silenciosa,
Agradeci aos céus por estar ali,
Por estar realizando mais um dos meus sonhos,
Sim, sonhei em estar naquele lugar,
Desejei tanto, mas tanto, que meu sonho se tornou realidade,
Na verdade, vou contar-lhes um segredo,
É exatamente assim que acontece comigo,
Planejo mentalmente todos os lugares que quero conhecer,
E condiciono a minha vida para cada realização.









Sorvete de Lavandas, maravilhoso!!!







                                                                          

Ana e o Guerreiro




O poder interior está escondido além das forças espirituais,
A espada determina as ações,
E o escudo a vida.

Nada é em vão ,
Nada fica sem resposta,
Se a busca pela resposta for com a pureza da essência,
Tudo o que está dentro também está fora.

As ordens foram impostas,
Mas a decisão de cumpri-las é nossa,
O livre arbítrio se faz presente desde o nascimento até a morte,
E a morte é o reencontro com a essência absoluta,
Morrer é conhecer e reconhecer-se em si mesmo,
E reencontrar-se consigo mesmo, é o mais dolorido de todos os encontros.

Nada é imperceptível,
Toda consequência é consentida pela ação,
E a ação é a espada,
E o escudo é a vida....


Essas palavras foram ditas num sonho emocionante que tive com a minha Tia Ana Luíza, que habita o plano espiritual,  um homem vestido como um guerreiro a acompanhava,  e com essas palavras encerro 2016....


Caros amigos e leitores, desejo a todos um Natal Iluminado e Um Ano Novo cheio de Realizaçoes e Vitórias....


                                                      Saudaçoes a Todos


                                                                                   

Não posso, não quero e não vou fugir do que sou, sou a soma de todos os meus atos, sou o resultado de tudo que fiz e vivi, e vivendo na intensidade de mim, me tornei única!



Vanessa Palombo

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