Mais uma Vida Por Favor!



Lágrimas sentidas rolavam pelo seu rosto,
Sua música preferida tocava na vitrola que havia comprado para ela nos anos 40,
Um presente que nunca deu,
Imagens distorcidas de um passado muito distante vinham a sua  mente,
Arrependimentos do que nunca foi vivido,
A falta de coragem por não ter lutado,
A covardia por ter desistido daquele amor causava-lhe náuseas.

Teve todo o tempo do mundo,
Teve a vida inteira para decidir o que parecia simples,
Mas agora não havia mais tempo,
Não havia tempo algum.

Respirava com dificuldades, faltava-lhe o ar,
O espirito precisava deixar aquele corpo envelhecido.

Na noite anterior havia completado 90 anos,
E até ali, naqueles últimos instantes lembrava-se dela,
Aquela que havia sido a dona dos seus pensamentos por anos e anos.

Por interesses financeiros casou-se com outra,
Vendeu-se para uma mulher desprezível,
Em seus pensamentos mais obscuros,
Tinha a esperança de um dia ficar viúvo, só assim herdaria toda aquela fortuna,
E reconquistaria seu amor,
Era isso o que mais desejava na vida,
Mas o tempo voou,
A moça casou-se com alguém que nao tinha dinheiro e foi muito feliz,
Nunca mais teve noticias dela.

E só agora, no momento final da sua existência
Percebeu que até nos momentos de prazer,
Fazia amor com sua mulher de olhos fechados,
Não suportava vê-la.

O tempo todo  imaginava ela,
Ela que era a moça mais bonita que havia conhecido,
Era pra ela que fazia juras de amor,
Era o corpo dela que tocava,
Era o cheiro dos cabelos dela que sentia,
Era a boca dela que beijava loucamente.

E ali,  em seu leito de morte não poderia ser diferente,
A imagem angelical daquela garota,
Que por toda vida foi a dona do seu coração,
Veio resgatar-lhe da solidão,
Na mente dele,
Era ela quem estava ao seu lado e segurava sua mao...


                                                               
                                                                        

Grama Verde




Há lugares escondidos dentro do meu coração,
Trechos e caminhos inusitados,
A aparência de cada um reflete minhas emoções,
E exatamente o que estou vivendo no momento.

A criança que fui ainda vive dentro de mim,
A todo custo tenta proteger-me de todos os perigos,
Sua voz doce fala ao meu ouvido por onde devo seguir,
As vezes quero esconder-me estre as pedras,
Outras vezes perco-me na trilha de uma montanha imaginária.

Uma vez o cenário de uma guerra interior foi tão devastador que tentei fugir para sempre,
Mas ela olhava-me de  longe sem que eu percebesse,
Sutilmente aproximou-se e pegou minha mao,
Aos prantos deitei-me  em seu colo e adormeci.

Quando despertei um sorriso coloriu-me o rosto,
E a paz inundou-me completamente,
Fiquei sem entender,
O cenário da guerra que despedaçava-me havia desaparecido,
Estava em outro lugar,
Exatamente o lugar onde desejava estar,
Belo e calmo,
A grama era de um verde brilhante e o céu de um tom azul majestoso.

Para consolar-me com doçura,
A criança que fui deixou-me em outro cenário....



Menina Mulher






Era uma menina linda que  trajava-se de mulher,
Sua inteligência e maturidade não condiziam com a pouca idade que tinha,
Era tão decidida que parecia saber exatamente aonde queria chegar,
Como poderia ter tanta certeza se ainda era tão jovem,
Certamente ela não saberia explicar,
Mas o tom da sua voz era suficientemente convincente.

Seu rosto belo e angelical escondia medos e dores que tentava disfarçar,
Demonstrava ser forte o tempo inteiro,
Mas era extremamente sensível,
Chorava e sorria com a mesma intensidade.

E na intensidade dos seus pensamentos,
O vento balançava suavemente seus cabelos longos.

Era uma menina linda que trajava-se de mulher,
Na inocência dos seus atos,
Já despertava o desejo de olhares curiosos sobre seu corpo,
Mas ela acreditava no amor,
E era movida por ele.

Estava disposta a entregar seu coração para alguém que fosse tão sensível quanto ela,
Essa pessoa especial teria que sentir sua essência e traduzi-la no silencio do seu olhar,
Teria que captar nas entrelinhas
Que se conquistasse seu coração,
Ganharia sua alma....


                                         

Rumo





O caminho ao longe parecia simetricamente incerto,
Havia percorrido tantas direções que agora não fazia tanta diferença,
O caminho que se aproximava chegaria em algum lugar.

Seus pés cansados haviam percorrido estradas intermináveis,
Dia após dia,
Ano após ano buscando o inesperado.

Seus olhos haviam visto tantas coisas, pessoas e paisagens,
Que era difícil traduzir em palavras todas as emoções sentidas,
Os aromas de todos os passos dados estavam impressos na sua essência,
E nas solas dos seus sapatos.

Perdeu as contas de quantas vezes arrumou e desfez suas malas,
E de quantas coisas perdeu ao longo do caminho.

Seu lado carnal e materialista tentava sufocar o espirito com seus lamentos,
Mas seu lado espiritual insistia em dizer-lhe,
Que não havia perda alguma,
Pelo contrário,
Precisava apenas de maturidade suficiente para compreender que as coisas mais valiosas do mundo não tem preço,
São invisíveis aos olhos,
E não se carregam em malas,
Somente no coração....


                                                            

Química






Havia feito tudo que estava ao seu alcance para que Ela percebesse seu interesse,
Revelou-se,
Química e energia foram trocadas de forma peculiar nas palavras de carinho que diziam um ao outro,
Ele confidenciou-lhe tantas coisas nas entrelinhas da sua essência.

Estava convicto, queria alimentar o que estava sentindo embora desconhecido,
Teve receio mas não hesitou,
Abriu as portas do seu coração para que Ela entrasse,
A intenção era que conhecesse seu interior,
Quem sabe talvez, se reconhecesse nele,
Descobriria definitivamente quem  Ele era e o que pretendia.

Mas de certa forma, a química energética não havia fluido como Ele imaginava,
Ela chegou até a porta,
Mas não entrou e recuou,
Não estava disposta,
Talvez por Ele ser o seu oposto,
Ou quem sabe?
Iguais demais...


                                                                     
                                                                  

Mente que a Prende





Prendia-se impiedosamente às suas convicções,
Interiormente permanecia intacta em sua jaula intocável e invisível,
Ditava regras fantasiosas ao próprio ego,
Justificava-se todo o tempo,
Tentava encontrar respostas para as perguntas mais absurdas que fazia a si mesma,
Fechava-se em seu mundo contraditório.

Seus pensamentos não a deixavam em paz,
Sua extrema inteligência não a deixava enxergar além do horizonte,
Sua mente prendia seu próprio reflexo dentro espelho.

Da janela do seu quarto avistava uma estrada, 
Estrada esta, que poderia leva-la a qualquer lugar,
E até  libertá-la de suas vontades,
Mas descartava a possibilidade mantendo-se refém dos próprios desejos, da própria coragem, e das próprias atitudes.

Preferia acomodar-se dentro do que já conhecia,
Do que lhe convinha,
Sem culpas, aprisionava-se no altar que havia construído com suas ideias,
E cumpria a risco todos os dogmas impostos por sua mente.

Mente que perturba,
Mente que desmente,
Mente
Que
A
Prende...



   Texto dedicado a minha amiga Mariana
                                                          

Por um Tempo





Perdi a razão percorrendo suas estradas indefinidas,
Mergulhei nas águas escuras dos seus olhos sem pensar em nada,
Aos poucos fui perdendo-me,
Seus beijos eletrizantes seduziram-me completamente,
Nossas essências difundiam-se em nossos corpos,
Nossos corpos eram refém dos nossos desejos,
Éramos um,
Um para o outro,
Um do outro,
Éramos apaixonados,
Tão perfeitos,
Que na complexidade de nos tornarmos um,
Viramos um,
Um para cada lado,
O lado vazio um do outro...



                                                                            
Não posso, não quero e não vou fugir do que sou, sou a soma de todos os meus atos, sou o resultado de tudo que fiz e vivi, e vivendo na intensidade de mim, me tornei única!



Vanessa Palombo

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