Grama Verde




Há lugares escondidos dentro do meu coração,
Trechos e caminhos inusitados,
A aparência de cada um reflete minhas emoções,
E exatamente o que estou vivendo no momento.

A criança que fui ainda vive dentro de mim,
A todo custo tenta proteger-me de todos os perigos,
Sua voz doce fala ao meu ouvido por onde devo seguir,
As vezes quero esconder-me estre as pedras,
Outras vezes perco-me na trilha de uma montanha imaginária.

Uma vez o cenário de uma guerra interior foi tão devastador que tentei fugir para sempre,
Mas ela olhava-me de  longe sem que eu percebesse,
Sutilmente aproximou-se e pegou minha mao,
Aos prantos deitei-me  em seu colo e adormeci.

Quando despertei um sorriso coloriu-me o rosto,
E a paz inundou-me completamente,
Fiquei sem entender,
O cenário da guerra que despedaçava-me havia desaparecido,
Estava em outro lugar,
Exatamente o lugar onde desejava estar,
Belo e calmo,
A grama era de um verde brilhante e o céu de um tom azul majestoso.

Para consolar-me com doçura,
A criança que fui deixou-me em outro cenário....



Menina Mulher






Era uma menina linda que  trajava-se de mulher,
Sua inteligência e maturidade não condiziam com a pouca idade que tinha,
Era tão decidida que parecia saber exatamente aonde queria chegar,
Como poderia ter tanta certeza se ainda era tão jovem,
Certamente ela não saberia explicar,
Mas o tom da sua voz era suficientemente convincente.

Seu rosto belo e angelical escondia medos e dores que tentava disfarçar,
Demonstrava ser forte o tempo inteiro,
Mas era extremamente sensível,
Chorava e sorria com a mesma intensidade.

E na intensidade dos seus pensamentos,
O vento balançava suavemente seus cabelos longos.

Era uma menina linda que trajava-se de mulher,
Na inocência dos seus atos,
Já despertava o desejo de olhares curiosos sobre seu corpo,
Mas ela acreditava no amor,
E era movida por ele.

Estava disposta a entregar seu coração para alguém que fosse tão sensível quanto ela,
Essa pessoa especial teria que sentir sua essência e traduzi-la no silencio do seu olhar,
Teria que captar nas entrelinhas
Que se conquistasse seu coração,
Ganharia sua alma....


                                         

Rumo





O caminho ao longe parecia simetricamente incerto,
Havia percorrido tantas direções que agora não fazia tanta diferença,
O caminho que se aproximava chegaria em algum lugar.

Seus pés cansados haviam percorrido estradas intermináveis,
Dia após dia,
Ano após ano buscando o inesperado.

Seus olhos haviam visto tantas coisas, pessoas e paisagens,
Que era difícil traduzir em palavras todas as emoções sentidas,
Os aromas de todos os passos dados estavam impressos na sua essência,
E nas solas dos seus sapatos.

Perdeu as contas de quantas vezes arrumou e desfez suas malas,
E de quantas coisas perdeu ao longo do caminho.

Seu lado carnal e materialista tentava sufocar o espirito com seus lamentos,
Mas seu lado espiritual insistia em dizer-lhe,
Que não havia perda alguma,
Pelo contrário,
Precisava apenas de maturidade suficiente para compreender que as coisas mais valiosas do mundo não tem preço,
São invisíveis aos olhos,
E não se carregam em malas,
Somente no coração....


                                                            

Química






Havia feito tudo que estava ao seu alcance para que Ela percebesse seu interesse,
Revelou-se,
Química e energia foram trocadas de forma peculiar nas palavras de carinho que diziam um ao outro,
Ele confidenciou-lhe tantas coisas nas entrelinhas da sua essência.

Estava convicto, queria alimentar o que estava sentindo embora desconhecido,
Teve receio mas não hesitou,
Abriu as portas do seu coração para que Ela entrasse,
A intenção era que conhecesse seu interior,
Quem sabe talvez, se reconhecesse nele,
Descobriria definitivamente quem  Ele era e o que pretendia.

Mas de certa forma, a química energética não havia fluido como Ele imaginava,
Ela chegou até a porta,
Mas não entrou e recuou,
Não estava disposta,
Talvez por Ele ser o seu oposto,
Ou quem sabe?
Iguais demais...


                                                                     
                                                                  

Mente que a Prende





Prendia-se impiedosamente às suas convicções,
Interiormente permanecia intacta em sua jaula intocável e invisível,
Ditava regras fantasiosas ao próprio ego,
Justificava-se todo o tempo,
Tentava encontrar respostas para as perguntas mais absurdas que fazia a si mesma,
Fechava-se em seu mundo contraditório.

Seus pensamentos não a deixavam em paz,
Sua extrema inteligência não a deixava enxergar além do horizonte,
Sua mente prendia seu próprio reflexo dentro espelho.

Da janela do seu quarto avistava uma estrada, 
Estrada esta, que poderia leva-la a qualquer lugar,
E até  libertá-la de suas vontades,
Mas descartava a possibilidade mantendo-se refém dos próprios desejos, da própria coragem, e das próprias atitudes.

Preferia acomodar-se dentro do que já conhecia,
Do que lhe convinha,
Sem culpas, aprisionava-se no altar que havia construído com suas ideias,
E cumpria a risco todos os dogmas impostos por sua mente.

Mente que perturba,
Mente que desmente,
Mente
Que
A
Prende...



   Texto dedicado a minha amiga Mariana
                                                          

Por um Tempo





Perdi a razão percorrendo suas estradas indefinidas,
Mergulhei nas águas escuras dos seus olhos sem pensar em nada,
Aos poucos fui perdendo-me,
Seus beijos eletrizantes seduziram-me completamente,
Nossas essências difundiam-se em nossos corpos,
Nossos corpos eram refém dos nossos desejos,
Éramos um,
Um para o outro,
Um do outro,
Éramos apaixonados,
Tão perfeitos,
Que na complexidade de nos tornarmos um,
Viramos um,
Um para cada lado,
O lado vazio um do outro...



                                                                            

Sensações e Sentimentos




Há um diluvio de sentimentos percorrendo minhas veias,
Infinitas sensações misturam-se ao meu sangue tornando-as difícil defini-las.

Tem dias que olho-me no espelho e não reconheço-me,
Por algum tempo permaneço imóvel olhando-me profundamente,
Cada traço do meu rosto,
Reparo na cor mista dos meus olhos,
Castanhos esverdeados com pigmentos amarelos,
Levanto uma sobrancelha querendo encontrar alguma resposta,
E o silencio domina-me completamente.


Mas tem dias que os raios de sol misturam-se a minha essência e meu “EU” fica tão  obvio quanto uma estrada que sabe exatamente onde vai chegar...



                                                                           
Não posso, não quero e não vou fugir do que sou, sou a soma de todos os meus atos, sou o resultado de tudo que fiz e vivi, e vivendo na intensidade de mim, me tornei única!



Vanessa Palombo

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